Guerras entre Factos e Contradições

31/01/2021

Um mês depois do último artigo aqui estou de volta.

Não sei se faça o resumo da última semana, como tivera programado, ou se faça do último mês, o que é certo é que o mês começou e acabou da mesma forma que esta semana: ambos começaram péssimos, para acabar com um bocadinho de esperança e alegria.

Mas enquanto que o mês começou com consecutivos internamentos do meu Foggy e com consecutivas intervenções cirúrgicas de emergência, acabando com ele ainda internado, mas a melhorar consideravelmente, por outro lado impedido de o visitar devido a certos ótarios que com tanta ânsia de foder que nem coelhos não conseguem acalmar as hormonas e esperar. E com isto outros acabam por pagar, mas já lá vamos.

Bem… Agora que já fiz este breve apanhado do meu mês vamos à semana, e isto pode levar a certas reflexões ainda sobre o mês, não se desenganem…

Para começar presidenciais, 60,5% de abstenção e na pior das hipóteses (através do meu raciocínio pessimista) 20% dessa abstenção deveu-se a pessoas que ficaram confinadas depois da data de pedido para votação antecipada e ao domicílio, uns quantos que tiveram medo de sair de casa e outros tantos que estavam a tratar de pessoas 24/7 numa correria enorme.
Talvez 5 a 10% das pessoas com uma vida ocupadíssima ao domingo durante um confinamento geral que se recusaram a esperar na fila e simplesmente foram tratar do almoço de família de domingo, pois,

num estado laico é mais importante ir à missa e fechar-se em casa até ser hora de jantar do que exercer o seu direito mais fundamental escrito em constituição.

Por isso na melhor das hipóteses teremos apenas 30% de pessoas cujos privilégios não reconhecem a importância deste direito/dever e outros que inevitavelmente não puderam votar porque infelizmente trabalham aos domingos das 8h às 19h.

Quanto aos resultados, fazendo um breve resumo e tentando explicar a situação: Sim o partido que cerca de meio milhão de pessoas mostrou adorar está a crescer em peso para desgosto geral. Agora a questão que coloco :

   A esquerda andará assim tão enfraquecida?

Honestamente eu não acredito, o bicho papão depois de uma campanha eleitoral, cuja até em debates sem a sua presença ,fora assunto de conversa, sendo um tanto cómico tanto jubilo pelo seu terceiro lugar atrás da Ana Gomes, que para o próprio, no início das candidaturas, fora um motivo de vergonha para si, mas enquanto quase meio milhão votou por ele, outros(dentro de outros) quase e mais de meio milhão votou um pouco contra a sua convicção numa de voto estratégico mais à esquerda.
Também temos de contar com aqueles que também contra as suas convicções políticas e numa de contribuir para esta derrota procuraram o seu voto estratégico naquele que tinham a certeza que ganharia (e que de facto ganhou). Por isso para tirar conclusões mais concretas sobre este panorama teremos de esperar pelas próximas autárquicas e posteriormente as legislativas, só aí conseguimos fazer um apanhado geral da situação e analisar o real panorama político (enquanto que nas presidenciais só há um vencedor, nas autárquicas e nas legislativas os vencedores são os que conseguem eleger vereadores e deputados, consecutivamente).
Mas sim, num partido tão totalitário em que dizer o nome do seu porta voz ou do partido vai dar igual, sendo ele a única cara influente e que o próprio partido depende para não se tornar uma anedota ainda maior, como vemos nalgumas freguesias por aí fora, é facto que isto só tem pernas para piorar.

E agora outra pergunta para mudar um bocadinho o tema e divagar um pouco em história, talvez:

  Quem é que se deparou com pessoas a saírem ainda mais das suas tocas e a elogiar este dito grande feito do bicho “fasço”, chamarem a esquerda de “ditadores” (ou extrema-esquerda) e a fazerem referência a Marcello Caetano, criticando o nosso presidente Marcelo Rebelo de Sousa? (quase o chamando de comunista…)

Mal entrei em debates simplesmente ria apagava da minha vida e seguia em frente. Mas vamos só ridicularizar um bocadinho o quão burro é criticar e chamar carneiro a Marcelo Rebelo de Sousa enquanto se elogia o Caetano, quando ele e a sua família foram muito próximo do segundo (não digo que ele não merece o seu mérito na academia porque de facto vemos ali toda uma cultura que comprova esse mérito), não me venham dizer que ele não beneficiou dessa relação
É tão ridículo como dizerem:
 “antes do 25 de Abril uma pessoa saía de um trabalho e arranjava logo outro…”

Pois meus caros, com um salário ou uma jorna (trabalho pago ao dia) de fome qualquer um consegue pagar e dar trabalho a alguém mesmo que não haja. E no panorama atual também se arranja (ou se arranjava antes da pandemia) trabalho fácil em empresas que se recusam valorizar os seus trabalhadores e arranjam todas as maroscas possíveis para poderem pagar o máximo de ordenados mínimos possíveis, de preferência sem gastarem nada do seu bolso.

Quanto aqueles que dizem que a esquerda os quer censurar e oprimir tenho apenas a dizer que estão a ser “mais papistas do que o papa” isto porque se lhes afeta o facto de pessoas estarem contra eles por promoverem o racismo, a xenofobia e a homofobia, discriminando todos e mais alguns por serem aquilo que são, é porque reconhecem que são o problema (tendo em conta que discriminação é considerado crime quer pelo código penal, quer pela constituição).
E isso não é nem censura nem opressão.

É defender a escolha de se negar pessoas com tais ideais desumanos tal como estes negam e discriminam todo um leque de pessoas.

Incluindo aqueles que querem defender um mundo mais harmonioso e igual para todos.

Ao referirem que cultura e política não têm nada a ver….Pois bem, se até a religião direta e indiretamente interfere, (basta ler o meu primeiro artigo e conseguem ter mais ou menos uma ideia) afetando também a arte, tanto na música como em livros como nas artes plásticas quer da antiguidade quer contemporâneas, na área cultural vemos tantas críticas e tantos manifestos a surgir, torna-se de uma extrema ignorância achar-se que a cultura e a política não andam de braço dado. A realidade é que a arte seja ela qual for e a própria cultura, andam de braço dado com literalmente tudo, ou acham que as ilustrações científicas são feitas apenas por cientistas?

Ainda falando sobre política (e espero que seja o último tópico a comentar), e este vai para a malta dita liberal, concordam e acham que efetivamente lá porque o passado e os modelos de outros países não devem ser comparados ao que se tenta praticar cá, que por muito que apoiemos uma ideologia muitas vezes quem está a dar a cara e a voz não tomam decisões muito sensatas, do qual se tentam demarcar, não querendo ser comparados, por exemplo, ao Pinochet, porque

“ele disse que era mas não quer dizer tenha realmente sido”,

então andar a comparar o PCP com Venezuela e dizer que o PCP quer acabar com toda a iniciativa privada é estarem literalmente a irem contra o tipo de comportamento que dizem defender. Então se querem ser assim tão diferentes assumam que as coisas não são assim tão lineares e comportem-se em conformidade com o que dizem…

E sim, a direita, seja ela mais conservadora ou liberal de facto é má, pois a mais liberal por muito que diga que não, tende em normalizar o extremismo mais perto do seu lado nomeadamente a longo prazo.

Se essa história de “o rico só é rico porque trabalhou muito” fosse verdade então tinha avós e um pai com uma herança enorme...

Enquanto isso sou só mais um “intelectual de cariz de esquerda” de classe media e mimado, como alguns tendem em chamar.
Porque para se ser contra o sistema não é criticar as minorias ou os subsidiários, gritar nas internets “preconceito ideológico” e “marxismo cultural” (que já agora são duas expressões que já duram desde 2020 que adoro).
Esquecem-se de quem é que não quer nada com o estado, mas que para pedir ajuda em investimentos para isto ou para aquilo ou para ajuda em crises são sempre os primeiros a vir chorar (numa tentativa de não terem de mexer no seu próprio bolso).

 “Ah, mas Joni, já estás a generalizar, nem todos são assim”
pois não, tipo empresários de pequenas lojas, ou outros que usam efetivamente o dinheiro que lhes dão e investem nas pessoas e nas suas infraestruturas, sem ser em modo conta gotas.

 “ah mas na esquerda também se foge ao fisco”
Pois é, na esquerda foge-se ao fisco para evitar sobrar apenas 300€ para o resto do mês, como já me aconteceu quando tinha o estúdio, e mesmo fugindo não levei uma vida de luxo, no entanto, do outro lado é pela ganância de poderem alimentar a sua vida com mais luxos ainda, e eu considero só desnecessário, pois quem recebe milhares depois de descontos continua com milhares (e não 1000 que é apenas um milhar e não uns quantos milhares).

Concluindo então que a direita seja ela de que lado for inevitavelmente vai sempre alimentar as desigualdades sociais.

Posso ser um mimado, mas sou um mimado que pensa no vizinho do lado e não apenas no meu privilégio (ou com medo de o perder). Colaborando noutras causas que não me afetam diretamente, pois quando vejo o teto do vizinho a arder vou lá ajudar em vez de ficar indiferente ou dizer “Bem feita porque ele roubou-me flores do quintal!” ou porque me fez mal uma vez.
Embora não seja religioso mas uma vez ensinaram-me “Faz o bem sem olhar a quem”, isto não significa que tenhamos de estar sempre presentes mesmo que nos façam mal, mas é fazer como o meu irmão  me disse:

  “não se fecham portas, apenas mostramos menos disponibilidade”

Aprendi isso da pior forma, por isso não quero voltar a cair nos mesmos erros, e se estou aqui é para ser uma pessoa melhor e contribuir para a solução e não para o problema. Rumarei sempre nessa direção.

Agora vamos à saúde:

Uma desgraça, cada vez pior, mais infetados e mais mortos a cada dia, o governo podia fazer melhor? Claro que podia sempre, e a situação das escolas e Universidades foi uma das coisas onde se provou que podia, mas muitos de nós (população) também podíamos fazer melhor em vez de andarmos a arranjar falcatruas para contornar as situações…

Neste momento o próprio governo já nem sabe o que fazer, pois em todas as direções lhes são atiradas pedras e críticas…. Pelo menos eu tento fazer a minha parte e contribuir para a solução e apenas respeitar o que é exigido e aconselhado,

se quero ser livre tenho de interferir o menos possível com a liberdade e escolhas individuais dos outros, fazer o exercício de não olhar só para o meu umbigo e privilégios.

Parece controverso, mas não é, há que fazer sacrifícios de vez em quando para o bem coletivo e ao pensar no coletivo é que fazemos essa reflexão, de perceber se o que eu estou a fazer está ou não a contribuir para o mal do meu vizinho, se não estiver posso continuar a fazer o que faço dentro do meu lar sem invadir o espaço dele.
Sendo isso óbvio mas até na rua... Cada um tem o seu espaço se alguém está num sítio e se eu estiver atrás, fisicamente é me impossível estar no mesmo sítio que ele. Logo tenho de esperar que saia, e quem está à minha frente também não deverá ficar ali parado sem motivo nenhum sabendo que estou na mesma situação que ele e também quero passar por ali.

 a isto chama-se civismo e viver em sociedade, malta!

Por isso gostava que os negacionistas parassem de uma vez por todas com o que estão a fazer, a dizer, que não usem a reivindicação  da palavra “liberdade” apenas para beneficio próprio e que façam alguma pesquisa e exercícios sobre economia e façam estas contas:

 Se a economia para ou reduz drasticamente, as receitas não só das empresas como do Estado diminuem, e com isto algumas empresas acabam por não reunir condições e, como qualquer empresário faz para não ir direto à falência, acaba por dispensar pessoal em massa.

 Agora com mais pessoas em casa e trabalhadores independentes impedidos de trabalhar ou porque não podem circular ou porque não têm trabalho faz com que o governo se veja obrigado a dar mais subsídios para evitar que as pessoas passem fome, fiquem ainda mais endividadas e sem um teto.

Portanto um estado a ter de abrandar drasticamente a economia, sem receita e a dar mais subsídios, nem empresários nem políticos, por muito corruptos que muitos possam ser, não ganham em nada.

O Estado depende de uma economia funcional e das populações a trabalhar para terem receita e o empresário rico precisa dos trabalhadores para ele poder ser rico, entre outras coisas, logo ninguém ganha com isto.

  É economia e matemática simples!

Por isso por favor contribuam, não pensem só em vocês. Pensem nos outros, pensem nos que querem trabalhar e fazer a sua vida e não podem. Pensem em quem está na linha da frente em consecutivos burnouts e ataques de pânico, a tentar salvar vidas ou a escolher quem vive ou não num ato de desespero! Resguardem-se! Porque quanto mais depressa acatarmos isto mais depressa conseguimos voltar gradualmente à normalidade. Vejam o caso da Nova Zelândia, por exemplo, o cenário já parece um cenário de 2019… Praticamente tudo normalizado…

Por favor respeitem-se uns aos outros, sejam mais humanos e sejam menos egoístas!

  Porque quem está em casa sem conseguir fazer nada não está por masoquismo ou vontade própria, agora quem sai e ignora fá-lo por pura maldade, egoísmo e sadismo…

Mais uma vez um grande obrigado por lerem até aqui como agradecimento abaixo deixo uma uma trilha de ilustrações feitas pela Joana Féteiro que teve a gentileza de colaborar nesta publicação e fornecer as suas ilustrações, pois de certa forma considero que faz tanto sentido para ilustrar aquilo que foi este mês e o final deste texto.

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